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quarta-feira, 24 de julho de 2024

Campeã dos Jogos Pan-americanos no atletismo recebe apenas uniformes masculinos para competir em Paris-2024

Izabela da Silva, do lançamento do disco, se revolta com situação vivida durante a retirada das roupas de competição para os Jogos Olímpicos

Por Alexandre Massi




Izabela da Silva recebeu apenas uniformes masculinos para competir em Paris-2024 — Foto: Divulgação Instagram

Medalhista de ouro nos Jogos Pan-americanos Santiago 2023 e finalista olímpica em Tóquio-2020 no lançamento do disco, a atleta Izabela da Silva passou por uma situação constrangedora neste sábado, 20, ao retirar seus uniformes de competição para os Jogos Olímpicos de Paris-2024.

Ao buscar o enxoval em um shopping center indicado pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Izabela não recebeu peças femininas porque a Puma, fornecedora de material esportivo da entidade, não tinha nada do seu tamanho.

— Estou bem chateada porque pedi algumas peças masculinas e me deram todas masculinas. Feminina eles não deram nada. Ganhei 19 peças, contando mochila e boné, e o feminino ganhou 30. Sabe como isso é triste? É triste demais pegar o seu uniforme da Puma para competição e eles fazerem uma dessa dizendo que não tem numeração. Um top vai até o M, não dá nem para rir de nervoso, de tanta tristeza. E toda (vez na) seleção é essa sacanagem. Só por que sou um pouco maior, e daí? Pede maior — desabafou a atleta de 28 anos, em vídeo publicado nas redes sociais.

Izabela tem 1,77m de altura e pesa mais de 100kg, dentro do padrão para atletas de lançamento do disco. E, apesar de integrar a seleção brasileira há mais de uma década, tendo sido inclusive campeã mundial júnior em 2014, a situação é vivida desde que passou a representar o país em competições internacionais.

— Acho que é um descaso isso que eles fazem com os atletas. Isso deveria ser mudado. O que esperar da Confederação Brasileira? É decepcionante uma coisa dessas acontecer, não é possível que a Puma não consiga fazer um uniforme um pouco maior para o feminino. Só consegue fazer masculino, isso para mim não tem sentido nenhum.

A atleta diz ainda que competirá com os uniformes entregues pela Puma, apesar de serem masculinos.

— Vou competir com a roupa masculina. Pedi alguns números masculinos mesmo porque até me sinto mais confortável, mas top e outras paradas femininas não vêm nada para mim. Estou muito chateada, decepcionada.

Procuradas para se manifestarem sobre o caso, Puma e CBAt publicaram uma nota conjunta:

"Lamentamos o ocorrido com a atleta Izabela Rodrigues da Silva na entrega dos kits de competição e, em conjunto com a Confederação Brasileira de Atletismo, estamos em contato com a atleta para solucionar o caso da melhor forma possível.

Aproveitamos a oportunidade para reforçar que temos um compromisso de longo prazo com o esporte e fazemos o nosso melhor para oferecer produtos de excelência à performance dos(as) atletas. Destacamos ainda que cada prova de atletismo possui uma quantidade diferente de peças do uniforme que varia de acordo com a necessidade esportiva e essa quantidade independe do gênero do(a) atleta. Por fim, é importante destacar que desenvolvemos produtos e uniformes que atendem a corpos diversos, e especificamente em vestuário, do PP ao 4GG."

Em meio a polêmica de uniformes, Confederação Brasileira de Atletismo se justifica em nota


Fernando Ferreira publicou a mochila recebida com equipamento para disputa das Olimpíadas — Foto: Reprodução X

CBAt afirma que o enxoval de peças seria fornecido também pelo COB na chegada em Paris e diz estar se movimentando para resolver o problema

Por Redação O GLOBO

https://oglobo.globo.com/esportes/olimpiadas/

Em meio a polêmica de uniformes do representante brasileiro no decatlo das Olimpíadas de Paris, José Fernando Ferreira, a Confederação Brasileira de Atletismo publicou, nesta segunda-feira, uma nota justificando o ocorrido com o atleta. Segundo a CBAt, o enxoval de peças seria fornecido também pelo COB na chegada em Paris, além de afirmar que está se movimentando para resolver o problema.

Na nota, a CBAt relatou que o número de peças é definida a partir da análise das especificidades e das exigências de cada prova. Ainda segundo a Confederação, os eventuais ajustes na quantidade sempre são resolvidos em contato direto com ela, e que junto com a Puma "querem os atletas focados em suas performances e, para isso, vêm dando todo o suporte necessário."

José Fernando Ferreira, conhecido como Balotelli, havia publicado um relato nesta mais cedo, por meio do X, sobre sua insatisfação com o kit de uniformes que recebeu para a competição. Segundo ele, foram entregues apenas uma regata, um macaquinho e um short para dois dias de provas, que serão divididos em quatro etapas.

Além de Balotelli, a medalhista de ouro nos Jogos Pan-americanos Santiago 2023 e finalista olímpica em Tóquio-2020 no lançamento do disco, Izabela da Silva passou também teve problemas envolvendo os uniformes para Paris. No último sábado ao buscar o enxoval em um shopping center indicado pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), ela não recebeu peças femininas porque a Puma, fornecedora de material esportivo da entidade, não tinha nada do seu tamanho.

A Puma é patrocinadora da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) desde 2022. O contrato era válido até 2024, mas foi renovado e novo vínculo encerrará em 2034, cobrindo a disputa em Paris 2024, Los Angeles 2028 e Brisbane 2032. Muito cobiçado, os uniformes da marca servem também a Jamaica, principal representante da modalidade nos Jogos.

VEJA NOTA DA CBAt;

Com relação às peças, a quantidade é definida considerando as especificidades e as exigências de cada prova.

"A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) esclarece que já está em contato e resolvendo as questões pontuais referentes aos uniformes para os Jogos Olímpicos de Paris. A CBAt e a PUMA querem os atletas focados em suas performances e, para isso, vêm dando todo o suporte necessário.

É importante destacar que o enxoval dos membros da delegação também é composto pelo material do Time Brasil, que será fornecido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) na chegada a Paris.

Eventuais ajustes no número de peças que compõem o enxoval de competição sempre são resolvidos em contato direto com a CBAt, lembrando que os atletas têm comunicação aberta com os representantes da CBAt.

O Atletismo Brasil tem grande orgulho por ter um dos contratos mais longevos de material esportivo do movimento olímpico, uma condição ainda rara dentre as confederações de modalidades esportivas do Brasil.

Fortalecendo o nosso compromisso com as seleções brasileiras a CBAt mantém o Programa de Seleção Permanente com benefícios a um grupo de 64 atletas e 24 treinadores e também o Programa de Preparação Olímpica com o COB, colocados em prática durante todo o ciclo para os Jogos de Paris, com experiência de treinamento e competições no cenário internacional.

Em 2023, a CBAt e a PUMA vestiram 419 atletas e 80 oficiais em 13 delegações, com destaque para o Mundial de Budapeste, na Hungria. Em 2024, 239 atletas já vestiram PUMA até o momento, com destaque para o Campeonato Ibero-Americano.

O atletismo será disputado de 1 a 11 de agosto no programa olímpico, na segunda semana de competições. A maioria dos atletas, que viajam nesta semana, farão uma parada em Desmor, Portugal, antes da ida para a Vila Olímpica."

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