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terça-feira, 7 de setembro de 2021

'Blade Jumper' revive ideia de unificação de Jogos Olímpicos e Paralímpicos

 


Markus Rehm, da Alemanha, mais um ouro no salto em distância paralímpico
Imagem: Naomi Baker/Getty Images

DENISE MIRÁS

Colaboração para o UOL, de São Paulo

05/09/2021 12h00

Enquanto o mundo discute mais seriamente a aplicação e a ética da neurotecnologia em super-humanos e o Comitê Paralimpico Internacional (CPI) lança a campanha #WeThe15 por mais inclusão social (em referência aos 15% da população mundial com algum tipo de deficiência, mais de um bilhão de pessoas), um atleta alemão reacende o debate sobre a participação de atletas e paralímpicos em um mesmo evento.

Saltando com próteses, Markus "Blade Jumper" Rehm tem 8,62m como recorde mundial do salto em distância. Com essa marca, seria ouro nas sete últimas Olimpíadas, mas o alemão compete na classe T64 das Paralimpíadas (deficiência nos membros inferiores, com próteses). Ele tem três ouros consecutivos, o último deles conquistado com 8,18m na última quarta-feira (1), nos Jogos de Tóquio-2020.


Markus Rehm, o Blade Jumper, quer mais um desafio: competir com olímpicosImagem: Bob Martin/OIS
Rehm é um personagem à parte. Abriu mais uma vez o debate sobre a possibilidade de atletas olímpicos e paraolímpicos competirem juntos na mesma prova. Seria um desafio a mais. Ele teria a chance de tentar quebrar o recorde mundial do olímpico Mike Powell, norte-americano que detém a marca de 8,95m, alcançada justamente em Tóquio, ainda em 1991.
Blade Jumper, como é chamado (saltador com lâmina, na tradução aproximada do inglês), é um trocadilho com Blade Runner, o filme futurista de Ridley Scott onde não é mais possível diferenciar humanos de androides.
Chance negada
Markus Rehm tentou disputar as Olimpíadas do Rio-2016, mas não conseguiu provar que a prótese de fibra de carbono não daria alguma vantagem em relação aos adversários sem próteses.
Ele chegou a participar de um estudo conjunto entre a Universidade Alemã do Esporte, a Universidade do Colorado, nos EUA, e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada de Tóquio. Os cientistas concluíram que não havia como provar vantagem clara dos atletas que usam as lâminas: o salto pode até ser mais eficiente, mas o contrário ocorre na corrida de aproximação.
Rehm quis apresentar o relatório para a Federação Internacional de Atletismo (World Athletics), mas não foi aceito. Apelou ao tribunal internacional do esporte (Court of Arbitration for Sport, CAS), mas de nada adiantou. Ele voltou a tentar disputar as Olimpíadas deste ano, mas não conseguiu, sequer recebeu uma justificativa da negativa.
Desafios diferentes

Ele destaca, com relação a parecer "tão fácil" saltar com as próteses, o quanto é difícil se adaptar, na velocidade da corrida. Lâmina é apenas lâmina. Nela, não é possível alterar a rigidez: se mais dura, responde muito rápido; se mais maleável, não responde rápido o suficiente. É preciso acertar o ponto certo, explica o saltador, ao contrário de quem conta com pernas e músculos, que são "controláveis".

Para ele, está provado que "existe um atleta por trás da lâmina" na medida em que seus adversários contam com as mesmas próteses que ele - que salta mais longe. Basta ver que, além dos 8,18 de Rehm em Tóquio, nenhum outro finalista do salto em distância conseguiu chegar aos 8,00m.

O velocista Oscar Pistorius chegou a correr com suas próteses nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, mas o movimento foi estancado ali (o sul-africano depois foi condenado e preso por assassinato). Markus Rehm volta a lutar pela chance e diz que seu maior sonho é aproximar atletas olímpicos e paraolímpicos. Que, se tivesse a permissão de competir em Olimpíadas, mais um passo seria dado nesse sentido, destacando que certamente haveria pessoas interessadas em assistir.

Logo unificado

As questões continuam vivas, da equiparação dos atletas à logística, da sobrevivência dos grandes eventos ao marketing e às audiências. Sir Philip Craven é um dos que defendia a fusão de Jogos Olímpicos e Paralímpicos em algum momento. Ele é da Grã-Bretanha, berço dos Jogos Paralímpicos, tem 71 anos e antecedeu o brasileiro Andrew Parsons na presidência do Comitê Paralímpico Internacional. Em Londres-2012, defendeu a unificação dos Jogos ainda que houvesse problemas de logística e prometeu até "não desistir da ideia".

Beatrice Vio, ouro da esgrima nas Paralimpíadas de Tóquio-2020. Imagem: Tasos Katopodis/Getty Images

A italiana Beatrice "Bebe" Vio, de 24 anos, que compete mesmo com amputação nas duas mãos e nas pernas na esgrima em cadeira de rodas, também defende a unificação. Ouro e prata por equipes no florete em Tóquio-2020 e com milhões de seguidores nas redes sociais, ela diz em seu site oficial que tem "sonho de unificar todos os esportes, olímpico e paraolímpico, e garantir que competições importantes sejam disputadas simultaneamente".

Trabalhando pelo movimento paralímpico em seu país, Vio espera que esteja nivelado com o olímpico em oito anos. "Isso exigirá um impulso cultural, uma mudança de mentalidade e muita energia, que virá principalmente das crianças", diz.

E Paris-2024 já acena com um mesmo logotipo, da Torre Eiffel estilizada sobre os cinco aros e sobre os três agitos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Provas a seguir no nono dia nos Jogos



Os atletas competem nas baterias de revezamento 4x400m masculinas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (© Getty Images)

Como está o penúltimo dia, já ?! O sábado (7) inclui as últimas seis finais de atletismo em estádios dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, além da primeira das duas maratonas. Depois disso, resta apenas um evento - a maratona masculina no domingo.

Entre os que disputarão uma das sete medalhas de ouro oferecidas no sábado estarão Timothy Cheruiyot nos 1500m, Yaroslava Mahuchikh no salto em altura, Johannes Vetter no dardo, Letesenbet Gidey nos 10.000m e Brigid Kosgei na maratona.

Aqui estão (mais de) cinco coisas a seguir no dia nove ...

Estrelas de distância prontas para brilhar

Finais da Maratona Feminina e dos 10.000m 

Marathon - 6h00, hora de Tóquio | 23h CEST (em 6 de agosto)
10.000m - 19h45, horário de Tóquio | 12h45 CEST 

A recordista mundial Brigid Kosgei - que correu 2:14:04 em 2019 - começará como a mulher a ser batida, mas não faltará uma formidável oposição  quando correr em seu primeiro campeonato importante.

Sua colega queniana Peres Jepchirchir, bicampeã mundial da meia maratona e recordista mundial, compete em suas primeiras Olimpíadas após sua vitória de 2:17:16 na Maratona de Valência em dezembro passado. Elas serão acompanhadas por sua companheira de equipe Ruth Chepngetich, a campeã mundial.

A equipe etíope também tem grande força em Roza Dereje (2:18:30 PB), Birhane Dibaba (2:18:35 PB) e Zeineba Yimer (2:19:28 PB).

Outros na caça às medalhas serão a recordista israelense Lonah Salpeter, a medalhista de bronze mundial da Namíbia Helalia Johannes e a japonesa Mao Ichiyama.

Previsão Completa

Nos 10.000m no final do dia, a holandesa duas vezes campeã mundial Sifan Hassan almeja um segundo título e uma terceira medalha após sua vitória nos 5000m e bronze nos 1500m em Tóquio. Mas não vai ser fácil e pode ser preciso um recorde mundial para vencer.

Apenas dois dias depois de Hassan correr 29:06,82 para tirar mais de 10 segundos do recorde mundial de 10.000 metros em Hengelo, em junho, a medalhista de prata mundial da Etiópia, Letesenbet Gidey, melhorou a marca em mais cinco segundos com 29:01.03 na mesma pista. Antes dessas apresentações, o recorde mundial havia sido de 29:17:45, disputado por Almaz Ayana, da Etiópia, cinco anos antes, nas Olimpíadas do Rio.


Agora, as duas melhores do mundo de todos os tempos estão se preparando para um confronto direto. Ao contrário de Hassan, Gidey - também detentora do recorde mundial dos 5000m - vai correr com pernas frescas, tendo decidido disputar apenas os 10.000m aqui.

A equipe do Quênia conta com a experiente Hellen Obiri, enquanto Kalkidan Gezahegne do Bahrein registrou um recorde nacional de 29:50,77 no início deste ano. Hitomi Niiya corre pela nação anfitriã, enquanto a relação de atletas também apresenta Tsigie Gebreselama e Tsehay Gemechu da Etiópia.

Previsão Completa

Vetter mira

Dardo masculino final
20:00, hora de Tóquio | 13h CEST 

Dizer que Johannes Vetter dominou o dardo nas últimas temporadas seria um eufemismo. O campeão mundial de 2017 da Alemanha chegou a ameaçar o recorde mundial no ano passado, lançando 97,76 m na Silésia, e 96,29 m durante esta temporada consistente.

O campeão da Commonwealth da Índia, Neeraj Chopra, foi forçado a perder o Campeonato Mundial de 2019 devido a uma lesão, mas voltou à sua forma este ano, enquanto o companheiro de equipe alemão de Vetter, Julian Weber, também foi um dos lançadores mais consistentes em 2021.

Depois de lançar 85,16m na qualificação, Arshad Nadeem se torna o primeiro atleta do Paquistão a fazer uma final olímpica no atletismo.

O campeão de Trinidad e Tobago em 2012, Keshorn Walcott, e o campeão mundial de Granada, Anderson Peters, não estarão entre os que vão buscar as medalhas depois de perderem a chance de chegar à final.

Previsão Completa

Lasitskene e Mahuchikh parecem voar alto

Salto em altura feminino final
19h35, hora de Tóquio | 12h35 CEST

Mariya Lasitskene tem três títulos mundiais em seu nome e agora ela busca seu primeiro ouro olímpico. A atleta neutra autorizada está empatada em quinto lugar na lista de todos os tempos do mundo com um salto de 2,06m desde 2017, mas não é a única atleta em campo a ter alcançado essas alturas.

O desafio de Lasitskene será a estrela em ascensão Yaroslava Mahuchikh, da Ucrânia, de 19 anos, que vem ganhando força desde que conquistou a medalha de prata em Doha, atrás de Lasitskene. Mahuchikh registrou o melhor salto indoor em nove anos em fevereiro, marcando 2,06 m em Banska Bystrica, Eslováquia, e também conquistou os títulos europeus indoor e Sub-23 este ano.

O grupo de principais candidatas também inclui a campeã nacional dos EUA e medalhista mundial de bronze de 2019 Vashti Cunningham, a recordista australiana da Oceania Nicola McDermott e a medalhista de prata mundial de 2017 da Ucrânia Yuliya Levchenko.

Previsão Completa

Cheruiyot vai para o ouro

1500m Masculinos - finais
20:40, hora de Tóquio | 13h40 CEST

Nos últimos anos, Timothy Cheruiyot, que começa como o homem a ser batido, não tem impedido a sensação dos 1500m. O queniano estava invicto na distância em 10 corridas ao longo de dois anos, até que um dia ruim nas eliminatórias quenianas pôs fim a essa sequência de vitórias, mas então ele correu um PB de 3:28,28 em Mônaco para manter a posição no 7º lugar na lista de todos os tempos e mostre aos selecionadores de equipe por que ele merecia um lugar em Tóquio.


Ele pode não ter as coisas do seu jeito, no entanto. Seu compatriota Abel Kipsang teve um recorde olímpico de 3:31,65 nas semifinais, levando o campeão europeu e recordista Jakob Ingebrigtsen, que colocou todo seu foco neste evento ao invés de decidir dobrar com os 5000m. O britânico Jake Wightman venceu a semifinal em 3:33.48 do astro universitário americano Cole Hocker e entre os que se juntaram a eles na final estarão os contendores australianos Stewart McSweyn, recordista da Oceania, e Ollie Hoare, além dos espanhóis Ignacio Fontes e Adel Mechaal e Josh Kerr da Grã-Bretanha.

O campeão olímpico dos EUA no Rio Matt Centrowitz perdeu a passagem para a final depois de terminar em nono em sua semifinal.

Previsão Completa

Encerrando a ação na pista

Feminino e masculino - finais de 4x400m
Feminino - 21h30, horário de Tóquio | 14h30 CEST
Masculino - 21h50, horário de Tóquio | 14h50 CEST

Depois das baterias 4x400m masculinas da mais alta qualidade da história olímpica, o final parece ser uma grande batalha. Sexta-feira foi a primeira vez que uma apresentação de menos de três minutos foi necessária para todas as oito equipes simplesmente se qualificarem para a final e as equipes que disputam o título serão EUA, Botswana, Polônia, Jamaica, Trinidad e Tobago, Bélgica, Itália e Holanda.

No evento feminino, os EUA tentarão somar mais uma vitória a um recorde que os levou a conquistar o ouro em seis Olimpíadas consecutivas ao longo de 25 anos, desde os Jogos de Atlanta em 1996.

Elas se classificaram confortavelmente como as mais rápidas para a final, e sua competição mais acirrada poderia vir dos jamaicanos, que conquistaram a prata atrás dos Estados Unidos nas últimas três Olimpíadas. Atrás dessas duas equipes na segunda bateria em Tóquio estavam Grã-Bretanha e Holanda, e na final se juntaram a Polônia, Cuba, Canadá e Bélgica.

Caso seja selecionada para competir na equipe dos EUA, Allyson Felix terá a chance de conquistar a 11ª medalha olímpica, ampliando seu recorde de mulher mais condecorada da história do atletismo olímpico.

Previsão Completa

Tradução de: https://www.worldathletics.org/competitions/olympic-games/news/olympic-games-tokyo-2020-athletics-day-nine

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Atletismo: com mais dois convocados, Brasil terá 53 atletas em Tóquio

Os novos integrantes da delegação são Mateus de Sá e Lucas Vilar

 

Wagner Carmo/ CBAt/Direitos Reservados

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) confirmou nesta segunda-feira (5) mais dois atletas na delegação que irá à Olimpíada de Tóquio (Japão). Mateus Daniel Adão de Sá, no salto triplo, e Lucas da Conceição Vilar, nos 200 metros, passaram a integrar a equipe nacional após remanejamento de vagas feito pela World Athletics (entidade que regula a modalidade internacionalmente). Com os dois atletas assegurados, a seleção brasileira de atletismo embarcará para Tóquio com 53 atletas.

Os atletas confirmados hoje (5) se garantiram nos Jogos pela cota do ranking mundial por pontos, em função de desistências por lesão e por opção de provas (quando atletas se qualificam em mais de uma especialidade). Um desses casos ocorreu com o brasiliense Caio Bonfim, que estava convocado para as provas de marcha atlética ( 20 km e 50 km). Ele abriu mão da segunda prova devido ao intervalo de apenas 13 horas entre as duas competições.

Mateus de Sá, de 25 anos, conquistou a medalha de bronze no salto triplo, em 2014, no Mundial Sub-20 de Eugene (Estados Unidos).  Já o velocista Lucas Vilar, de 20 anos, ganhou medalha de bronze nos 200 metros, nos Jogos Olímpicos de Juventude, em , em Buenos Aires (Argentina).

As competições de atletismo serão disputadas de 29 de julho a 8 de agosto no Estádio Olímpico do Japão, na capital japonesa. Já as provas de marcha atlética e maratona ocorrerão no Sapporo Odori Park, a cerca de 800 km de Tóquio. 

Confira AQUI as vagas já confirmadas pelo Brasil na Olimpíada.

Matéria de:  

https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2021-07/atletismo-com-mais-dois-convocados-brasil-tera-53-atletas-em-toquio

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