Felipe Caltran e André Luiz da Silva, no Campeonato Brasileiro de Natação 2019 - Foto: Ale Cabral/CPB/Direitos reservados
No próximo domingo, por sua vez, começa o Aberto Europeu de Natação Paralímpica em Funchal, na Ilha da Madeira. O Brasil será representado por três competidores que também miram classificação internacional na classe S14, para nadadores com deficiência intelectual: André Luiz Bento da Silva, Gabriel Bandeira e João Pedro Brutos.
André é quem está há mais tempo no paradesporto. Em 2019, ele integrou a equipe do revezamento 4x100 livre misto da S14 no Mundial de Londres. Dois anos antes, em Aguascalientes, no México, esteve sete vezes no pódio no Mundial organizado pela Federação Internacional de Esportes para Deficientes Intelectuais (Inas, sigla em inglês), com três medalhas de ouro, duas de prata e duas bronze. Gabriel e João Pedro, por sua vez, entraram recentemente para o movimento paralímpico.
"O Gabriel chegou a nadar a etapa regional [do Circuito Nacional Loterias Caixa] em fevereiro de 2020. Já o estávamos observando, avaliando e preparando o laudo de classificação internacional dele, mas veio a pandemia, e ele não tinha conseguido completar o processo. O Brutos apareceu no sistema durante a pandemia, e ainda não tivemos a oportunidade de vê-lo competir. Quando ele surgiu, as competições estavam suspensas. A estreia será em Funchal", descreve Leonardo Tomasello, técnico da seleção paralímpica de natação, à Agência Brasil.
Os três integram a relação de 54 nadadores aptos a disputar a fase de treinamento seletiva da modalidade, também marcada para junho. O Brasil tem direito a 35 vagas em Tóquio, sendo que quatro já estão ocupadas pelos atletas campeões mundiais em 2019: Daniel Dias (S5), Wendell Belarmino (S11), Edênia Garcia (S3) e Maria Carolina Santiago (S12). Mesmo que obtenham, em Portugal, um índice que os credencie aos Jogos, o trio deverá competir na seletiva, o que não diminui a importância do evento na Ilha da Madeira.
"Vamos dar prioridade [na convocação], número 1, a quem atingir o índice [na seletiva]. Número 2: composição das equipes de revezamento. E número 3: ranking mundial. Então, é importante que eles façam uma boa marca nesta competição para ter boa colocação no ranking. Se, por algum motivo, eles não conseguirem disputar a seletiva, por exemplo, testando positivo para a covid-19, ou disputarem e tiverem um resultado que não atinja o índice, eles podem entrar pelo ranking, caso restem vagas", explica Tomasello.
Reta final
Em condições normais (ou seja, sem a pandemia da covid-19), os atletas brasileiros passariam pela classificação esportiva no Open Internacional Paralímpico, evento de atletismo e natação que ocorre todo ano no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, e integra o circuito mundial de ambas as modalidades. O caos sanitário, porém, levou a competição a ser cancelada em 2020 e também em 2021, o que adiou os processos de categorização dos esportistas.
Em março, o diretor técnico do CPB, Alberto Martins, disse à Agência Brasil que, por precaução, apenas viajariam ao exterior atletas que necessitassem de classificação ou tivessem de cumprir algum protocolo de qualificação, como no halterofilismo, onde será preciso disputar, pelo menos, um evento neste ano. Com isso, os torneios em Notwill e Funchal, além das seletivas, serão as únicas oportunidades competitivas, até Tóquio, para as equipes de atletismo e natação, que estão há pelo menos um ano e meio sem competir oficialmente.
"Os últimos dois anos foram muito atípicos. Não tivemos competições internacionais para medir a força do nossos atletas [na comparação com rivais], mas sabemos como eles estão pelo ranking e estamos sempre testando a cada final de ciclo de treinamento. O trabalho da psicologia foi muito importante neste momento, para manter os atletas focados. Na seletiva, todos estarão prontos para mostrar o que fizeram ao longo desse período sem competições", garante Fábio Dias, do atletismo.
"Estamos tendo a maior atenção e buscando estratégias para manter os atletas competitivos, mesmo sabendo que é difícil replicar o ambiente de competição em um treino, onde é tudo controlado. Acredito que o treino seletivo terá um pouco desse ambiente, por valer vaga. Nas tomadas de tempo que temos realizado, as marcas têm melhorado, principalmente as dos mais jovens. Depois de a seleção ser definida, até o embarque, vamos trabalhar muito forte essa [mentalidade de] competição, o treino mental junto aos psicólogos", conclui Leonardo Tomasello, da natação.